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As férias estão aí e a rotina de seu filho muda completamente. Verão é tudo de bom, a gente vai viajar mesmo, mas as mudanças dos horários, do ambiente e do clima são capazes de causar alguns imprevistos na saúde das crianças. Pode ser um problema de pele, um descuido com o sol ou até uma intoxicação alimentar. Por isso é bom se preparar para não se assustar com as doenças mais comuns nesta época do ano. Consultamos alguns médicos e pediatras para saber quais são elas, como evitar e que providências tomar se for preciso.
Problemas respiratórios
O calor chega, mas nem por isso as doenças respiratórias dão trégua. Gripes, bronquites e rinites, por exemplo, podem até se agravar. A mudança brusca de temperatura pode ser muito agressiva para o organismo infantil.
Sintomas: Em geral, as doenças respiratórias se manifestam por meio de tosse, seca ou com catarro, pois é um mecanismo de defesa das vias respiratórias. Nos casos alérgicos, aparece seca. Nas gripes e nos resfriados, vem acompanhada de coriza e mal-estar.
Recomendações: Vá com calma no uso de ar-condicionado nos carros, em casa, em hotéis ou mesmo ao escolher uma sala de cinema. Ao ligar o ar no automóvel, vá reduzindo a intensidade aos poucos para que a criança não tenha um choque de temperatura quando sair. Se ficar muito calor e seu filho estiver gripado, não o agasalhe demais. Lembre-se de que está quente e ele naturalmente já sofre uma perda maior de líquido. Fazer a criança beber bastante água é bom, pois ajuda a eliminar o catarro.
Como tratar: Caso tenha febre, dê um antitérmico e a mantenha longe do sol e do calor excessivo. Alimentos gelados estão liberados, e banho morno também é recomendável.
Desidratação
É um dos principais problemas que afetam as crianças no verão. Com o calor, elas transpiram mais e sofrem perda excessiva de líquido. Por isso não descuide e não deixe de dar muita água aos pequenos.
Sintomas: Vômitos e diarréia.
Recomendações: Dê muita água à criança, mesmo se ela não pedir, para assim repor todo o líquido que perdeu por causa do suor. Abuse de sucos, chás e roupas leves. Se você está amamentando, não se preocupe. O leite materno é suficiente para manter a hidratação. Caso já tenha introduzido a mamadeira, dê também água e chá.
Como tratar: O vômito decorrente da desidratação provoca grande perda de líquido em pouco tempo. Por isso, é importante que seja controlado com medicação específica, os antieméticos. Caso a criança não consiga ingerir nada, parta para o supositório. Se seu filho já estiver em processo de desidratação, o ideal é dar soro gelado pronto, vendido nas farmácias. Para a solução ter um bom efeito, é bom equilibrar a quantidade de açúcar (glicose) e de sal (sódio) para que o intestino absorva com facilidade. A água-de-coco é considerada um ótimo hidratante. Quanto mais gelada estiver, maiores são as chances de o estômago aceitar. Dê em pequenas quantidades em intervalos de dez minutos. Não iniba a diarréia, ela é um mecanismo de defesa do organismo, que tenta colocar para fora as toxinas ou bactérias que estão agredindo o corpo.
Cuidados com o sol
Não dá para brincar com o sol. Tem de tomar muito cuidado. Além da insolação, existe a ameaça das queimaduras provocadas pelo excesso de exposição. Nesse caso é bom prevenir para não remediar. O efeito do sol é cumulativo e, mesmo que não apareçam problemas na infância, pode provocar doenças sérias na fase adulta, como o câncer de pele.
Sintomas: A insolação é o acúmulo de calor no organismo. Causa dor de cabeça, vermelhidão na pele, febre, sono e vômitos.
Recomendações: Bebês com menos de 6 meses não devem ser levados à praia ou piscina. Mesmo que estejam protegidos do sol, o calor excessivo não faz bem. A temperatura no interior de um carrinho em ambiente quente pode ultrapassar facilmente os 40 graus. Procure não deixar as crianças muito expostas ao sol entre 10 e 15 horas. Chapéu e boné são obrigatórios, e é na sombra que devem brincar. Filtro solar sempre e a toda hora. Lembrando que a aplicação precisa ser feita toda vez que seu filho sair da água ou, pelo menos, a cada duas horas. Quanto ao fator de proteção, fique com os de numeração 15 e 30. Os filtros com fator mais alto são oleosos e acabam por obstruir os poros, o que resulta em aumento do suor e irritações na pele. Sem contar que o grau de proteção não varia muito: 30 (97,5% de proteção) e 50 (97,7%).
Como tratar: Caso a criança esteja muito abatida e não aceite beber nada, é bom levá-la a um pronto socorro. Nos casos de queimadura solar, se o hidratante não aliviar a dor, oriente-se com o pediatra. Deixe a com roupas leves de algodão e fuja de lugares quentes com sol.
Intoxicação alimentar
Refeições fora de casa é lei quando crianças estão de férias. Normal. Elas comem na praia, no clube, nos shoppings ou nos parques. Mas nem sempre os alimentos nesses locais são lá muito saudáveis. Sem contar que o calor facilita a decomposição deles e, ao serem ingeridos, podem causar intoxicações provocadas por bactérias ou vírus. As bactérias, como a salmonela e o estafilococo, se desenvolvem no alimento, enquanto o vírus usa a comida como transporte e causa doenças como o rota-vírus ou a hepatite A.
Sintomas: Aparecem poucas horas depois de o alimento ser ingerido. Causam vômitos e diarréias. Nos casos mais graves, provocam febre, dor de cabeça, náuseas e podem levar à desidratação. Os primeiros sintomas de uma intoxicação por vírus ou bactéria não se diferenciam.
Recomendações: Procure evitar cremes como chantilly e maionese, carnes ou mesmo sorvetes vendidos na praia de marcas caseiras. O mesmo vale para sanduíches naturais. Prefira o bom e velho milho verde, o pastel de queijo ou os sorvetes de marcas conhecidas transportados em carrinhos refrigerados.
Como tratar: Os casos de intoxicação mais simples se resolvem em poucos dias. É importante não deixar de dar muita água ou o que a criança aceitar beber. Se estiver desidratada, compre soro na farmácia. Para cessar o vômito, dê um antiemético. A diarréia ajuda a expulsar o corpo estranho do organismo, por isso não é bom inibi-la com remédio. Se os sintomas demorarem a passar, procure um médico. Ele irá solicitar um exame de fezes para identificar a bactéria ou o vírus.
Conjuntivite
É a inflamação da membrana transparente que cobre os olhos e a parte interna da pálpebra. Pode ser causada por vírus, bactéria ou alergia, e é facilmente transmissível. A irritação é possível ocorrer também pelo contato com o protetor solar ou por conta de excesso de cloro nas piscinas.
Sintomas: Olhos vermelhos, secreção amarelada, dor, como se tivesse areia nos olhos, e sensibilidade ao excesso de luz.
Recomendações: Faça seu filho sempre lavar as mãos com água e sabão. Não deixe que ele use a mesma toalha de pessoas que você não conhece.
Como tratar: Com soro fisiológico ou água previamente fervida. Faça uma compressa com a água fria ou pingue algumas gotas de soro nos olhos da criança.
Problemas de pele
O aumento da transpiração, o sol, o cloro da piscina ou a sujeira da praia podem provocar problemas de pele. A micose é uma infecção causada por fungos que se alimentam da queratina, substância presente na pele e responsável pelo bronzeamento. As brotoejas também são comuns nessa época e são provocadas pela transpiração. E atenção para as praias freqüentadas por cachorros. Seu filho corre o risco de pegar o bicho geográfico, já que a parasitose costuma se hospedar nas fezes de animais.
Sintomas: As brotoejas aparecem nos bebês como bolhas e bolinhas avermelhadas. Atingem geralmente o pescoço, o tórax, o rosto e as costas, especialmente nas dobrinhas. As micoses costumam surgir como manchas, já que o sol não consegue bronzear a região infectada. O bicho-geográfico provoca coceira, e as larvas infestadas geralmente penetram na pele dos pés, das nádegas ou das costas e vão traçando um caminho linear.
Recomendações: Dê uma boa chuveirada em seu filho assim que sair da praia ou da piscina. É bom calçar chinelos nas crianças no vestiário e no caminho para a praia. Não exagere na roupa e dê banho morno.
Como tratar: Nos casos simples de micose, uma pomada específica pode resolver o problema em dez dias. Compressas de gelo aliviam a coceira do bicho-geográfico. Se o tratamento não resolver, procure um dermatologista para que ele receite um remédio e coloque éter no trajeto do parasita. Para as brotoejas, recomendam-se roupas leves e de algodão. Banhos com maisena diluída na água aliviam a coceira e ajudam a secar as feridinhas. |
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