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Decidi escrever sobre este assunto inspirada nas discussões de um grupo de mães de múltiplos do qual participo. Dos últimos cem e-mails que trocamos, 80 eram reclamações sobre babás! Eu não posso me queixar: fui abençoada e tenho a mesma babá desde que meus filhos tinham 3 meses, mas resolvi tomar as dores das minhas queridas amigas – afinal, 80% é uma porcentagem assustadora!
A primeira crítica é sobre o altíssimo salário que as babás cobram quando ficam sabendo da quantidade de crianças que moram sob o mesmo teto. As mães também reclamam que elas não têm pique e arrumam brigas com as empregadas da casa. Mas a mais grave de todas, e não menos freqüente, é a acusação de agressão física às crianças, pela falta de paciência.
Cristina Adati, mãe de Fernanda, Gabriela e Ricardo, de 3 anos e 4 meses, perdeu a conta de quantas babás passaram por sua casa. Ela diz que seus filhos já foram muito machucados por descuidos das funcionárias – incluindo quedas do trocador e mãozinha queimada. “Como trabalho fora, as babás são imprescindíveis. Gostaria apenas de poder contar com uma pessoa que se preocupasse com higiene, alimentação saudável e que desempenhasse suas funções como qualquer outro profissional, de forma responsável e com um pouco de carinho”, desabafa a mãe. Para tentar amenizar o desleixo, ela instalou câmeras por toda a casa.
De tanto ouvir depoimentos como o de Cristina, Cíntia Toledo, mãe de Guilherme, Luiz e Bernardo, de 3 anos e meio, optou por não ter babás e colocá-los direto na escolinha. Segundo ela, foi a melhor coisa que fez: aos 10 meses o trio foi para a escola, e Cíntia sentiu-se segura para, aliviada, poder voltar a trabalhar meio período. “Nunca aceitei o fato de ter babá, pois ficaria sempre com uma pulga atrás da orelha”.
Já Maria Fernanda Atanes – mãe de Débora e Amanda, de 10 anos; Mariana, de 5 anos; e André, de 3 – sempre confiou em sua babá e, todas as vezes, voltou ao trabalho assim que acabou a licença-maternidade. “Acho que essa relação deve ser como em um casamento: temos de saber quando exigir e quando relevar. As babás não são robôs. Elas se cansam erram de vez em quando. Não adianta exigir que sejam sempre perfeitas”.
Eu concordo com a Fê! Na minha opinião, para ganharmos essa “loteria” temos de abrir mão de muitas coisas. Tenho uma amiga, por exemplo, que despediu a babá por ela ter esquecido de colocar a touca no cabelo ao preparar as mamadeiras. Hello!!! Aí já é demais, não é? Devemos ter muito cuidado ao lidarmos com nossas expectativas em relação a essa profissional e também temos de saber qual o papel que queremos que ela represente em nossas vidas. Ela tem de conquistar seu espaço, e você precisa dar espaço para que possa se mostrar competente. De nada adianta ter uma babá e viver grudada nela!
Enfim, tenha sempre bom-senso. E não se esqueça de dar folgas semanais, sempre. Ninguém é de ferro e se nós, mães, cansamos e perdemos a paciência, imagine elas! Eu acredito que ainda existam profissionais legais e competentes no mercado de trabalho e tenho certeza de que logo você vai achar a sua. Quanto ao salário, procure alguém que trabalhe por amor e não por dinheiro: aí sim, você terá tirado a sorte grande novamente! Pois o maior prêmio que ganhamos são nossos filhos! Não desistam!
Majoy Antabi é fundadora do site www.multiplos.com.br
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